Misericórdia
A Grande Fraternidade Branca determinou que as escolas de caráter esotérico substituíssem a palavra Amor, devido o seu desgaste neste ciclo de degeneração, por MISERICÓRDIA.
É dever de todo iniciado nutrir o sentimento de MISERICÓRDIA por todos os seres, principalmente nesta fase de transformação cíclica em que a humanidade, em seu todo, vivencia, pois a degenerescência encontramos por toda a parte.
O grande obstáculo para a implantação deste sentimento misericordioso é o egoísmo humano que, se encontra entranhado na alma e os seres debatem-se para libertem-se desta macela.
Quando este obstáculo for vencido, os seres, de imediato, vão despertar a Tríade Superior, isto é, Atmã, Budhí e Manas.
O sentimento de MISERICÓRDIA é uma graça emanada da Divindade, que tudo ampara, aos seres humanos; este pensamento, em sua essência, é paradoxal, pois, em verdade, o homem é a Divindade manifestada na Terra.
A fome, peste, guerras, miséria e outras mazelas são apelos desta humanidade cansada de sofrer e suplica por compaixão.
Nos dias atuais encontramos milhares de seres circulando pelos grandes centros urbanos totalmente sem rumo, desesperados, clamando por MISERICÓDRIA e a maioria dos seres nega ajuda ao seu semelhante, por lhe faltar o sentimento de MISERICÓRDIA.
Destituído deste sentimento, segue sem rumo, sem afeto esta civilização e, cada vez mais, mergulha nos densos véus da ilusão.
Neste momento histórico o que mais vibra é a decepção e, quando ela se instala em nossa consciência, devemos nos interiorizar e desenvolver, do interno para o externo, o sentimento de BONDADE por todos os seres da Criação.
Nesta época de degeneração a corrupção dos valores espirituais é praticada em todos os segmentos religiosos e até em algumas escolas que se dizem iniciáticas; geralmente substituem os valores superiores pela economia deletéria, que, unida com a política demagógica e mesquinha de falsas lideranças mundiais, onde dão ênfase exclusiva aos valores monetários, substitui, assim, o homem, que deveria ser o centro de todos os acontecimentos a nível planetário.
A economia substituiu a política; esta, como arte de bem viver, perdeu o seu real sentido.
A economia, com sua lente míope, vê o homem como um número que pode ser substituído a qualquer momento.
A economia preocupa-se, exclusivamente, com as transações comerciais, onde o lucro é o ponto de maior importância; pouco se importa com os valores humanitários, pois estes não geram riquezas.
A economia é fria e material; busca incessantemente o lucro e, no presente estágio, é o centro gerador de dor e sofrimento.
Venerandos Irmãos, nenhum sentido teria ao elaborarmos uma Ordem se ela não tivesse como principal objetivo uma conseqüência social. N ão devemos nos esquecer que todo movimento espiritual verdadeiro tem que transformar a realidade social de sua época. Só assim a humanidade saiu do estado primitivo e alcançou a modernidade, caracterizada pela ciência tecnológica.
Venerandos Irmãos, sem o sentimento de MISERICÓRDIA vibrando em nosso Chakra Cardíaco não poderemos avançar na Senda Iniciática. Este sentimento sublime, que foi desenvolvido por todos os Iluminados, onde incluímos Budhas e Cristos, que demonstraram para todos os seres a Compaixão, é fator importantíssimo no soerguimento de qualquer civilização.
Cabe a cada Venerando Irmão assumir integralmente a função de um Budha de Compaixão, de um Cristo; para tanto, mister se faz imprimir em todos os lugares a real tônica da MISERICÓRDIA.
Nesta simples palavra, profundamente aparente, encontramos implícito a tolerância, paciência e o respeito que devemos nutrir por todos os seres, que no mundo externo são a nossa real expressão.
Sabedoria
A sabedoria é o conhecimento das coisas a luz que emana da consciência. Os antigos a consideravam a SABEDORIA (sophia) como o saber tanto teórico quanto pratico, isto é, significava a ciência e também a boa conduta durante a vida.
Em nossa Ordem a SABEDORIA deverá ser o estudo da moral, do aperfeiçoamento do caráter, os estudos relativos, as filosofias, as religiões, as ciências, as artes e o avanço tecnológico, como promotor de bem-estar e conforto para todos os seres.
Os gregos representavam a SABEDORIA sob a forma de Athenas e os romanos, sob a de Minerva, com um ramo de oliveira na mão, emblema da paz interna e externa. O seu símbolo usual era a coruja, ave noturna, pois a verdadeira sabedoria nunca está adormecida, como pensa a maioria dos seres.
Nas antigas Escolas Iniciáticas a SABEDORIA era simbolizada pelo Oriente, o lugar donde emanava a Luz Divina, cuja representação era feita pela a coluna Jônica, que combina a Beleza da Coríntia com o Vigor da Dórica.
Segundo os orientais a SABEDORIA é um poder emanado do Divino, que existe entre o Criador e a Criação, que atuava como seu agente e o mundo era a manifestação externa do espírito da SABEDORIA.
Não é difícil constatarmos que a SABEDORIA ocupe o lugar tão proeminente na consciência dos Iniciados.
Na atualidade, tanto o Oriente como o Ocidente, através da filosofia, consideram a SABEDORIA como a Energia Criadora - O Arquiteto dos Universos, ou a emanação do Supremo Criador.
H.P.B em seu glossário teosófico, conceitua a SABEDORIA da seguinte maneira:
- A “própria essência da SABEDORIA está contida no Não-Ser”.
- Os cabalistas; porém, estes aplicam tal termo como o Verbo ou Logos, o demiurgo, pelo qual o Universo foi chamado à existência.
- Os ocultistas classificam a SABEDORIA como a emanação do som ou Akasha.
- O Zohar ou Livro do Esplendor diz o seguinte: “É o principio de todos os princípios, a SABEDORIA misteriosa, a coroa de tudo o que há de mais elevado”(“O Zohar, III, fol.288, Qabbalah de Myr”). E já explicou que “sobre o Kether (a coroa) está o Aym ou Eus, isto é, Aym o nada”. Porque é assim chamado não sabemos, nem é possível saber. “O que existe naquele princípio, porque ... está acima da própria SABEDORIA”. (Ibid. III. Fol.288). Isto prova que os verdadeiros cabalistas concordam com os ocultistas, em que a essência ou aquilo que existe no princípio de SABEDORIA está ainda mais acima da SABEDORIA mais elevada.
Observem os Irmãos que a palavra SABEDORIA é impossível de conceituar, devido ser a expressão do todo, transcendendo a nossa percepção intelectual e abstrata, conduzindo-nos para o mundo metafísico, impossibilitando, assim, a nossa consciência terrena de penetrar em sua essência.
As filosofias nos permitem classificar os seres como portadores de conhecimento, mas como sábios só uma ínfima parcela de seres que a este mundo vieram, para o iluminar, com sua luz, as trevas que envolvem milhares de seres.
Os homens que desenvolveram o intelecto, através da aquisição de conhecimentos emanados dos variados ramos do saber e que são destituídos do sentimento de MISERICÓRDIA, tornam-se extremamente racionais e desenvolvem, em relação aos demais, a crueldade, transformando, assim, o planeta em um campo de dor e sofrimento.
Por tanto, para existir equilíbrio entre o conhecer e o conhecido, precisamos desenvolver em nossa estrutura psíquica e mental o sentimento de MISERICÓRDIA, em relação a todos os seres da Criação. Sem esse binômio funcionando em harmonia, não alcançaremos a felicidade terrena, consequentemente o Mundo Celestial, ficando, assim, preso à Roda de Nascimentos e Mortes, o Divino Samsara dos orientais.
Os intelectuais, em sua maioria, são destituídos do sentimento de MISERICÓRDIA, justificam intelectualmente o egoísmo de que são portadores e geram uma corrente interminável de sofrimento para toda a humanidade.
Portanto, Venerandos Irmãos, a Ordem Aleph deverá esforça-se para conjugar em seu interior a MISERICÓRIDA e a SABEDORIA. Nesta sublime conjugação divina, encontraremos a felicidade terrena, firmaremos no núcleo da Ordem estes valores e iremos irradiá-los para toda a humanidade.
Esta conjugação mágica, procuraremos ocultar dos olhares profanos, para não despertarmos a inveja nos seres que não alcançaram este estado de consciência.
Justiça
Em Direito Natural, consiste em tratar cada um de acordo com o seu direito, dando-lhe o que lhe é devido.
Devemos ter consciência dos deveres que a JUSTIÇA impõe ao homem; sem este discernimento não conseguiremos ser justos em relação ao nosso semelhante, principalmente no que tange ao direito à liberdade, à educação, à saúde, à moradia, ao emprego, ao transporte, enfim, a todos os bens que são úteis à vida de cada homem e, conseqüentemente, ao surto civilizatório.
A justiça distributiva impôs sanções ou conferiu recompensa na relação humana.
Na relação humana ela é representada por uma matrona com os olhos vendados, segurando numa das mãos uma espada e na outra uma balança, representando os olhos vendados a sua imparcialidade.
Na esfera iniciática, a JUSTIÇA consiste em praticarmos a fraternidade em relação a todos os seres, abrirmos os nossos corações e inundarmos o planeta com a força de nosso amor infinito.
A JUSTIÇA nos ensina a dar a cada ser o que lhe é merecidamente devido, sem distinção nenhuma de espécie ou categoria, raças etc.
A JUSTIÇA, apoiada na Lei Divina e Moral, é também a balança que pesa todas as manifestações do gênero humano, servindo de fundamento as Instituições Inicáticas e as Sociedades Civis.
A falta do perfeito exercício da JUSTIÇA gera a corrupção, a confusão e a desordem generalizada, que tudo destrói.
Na nação onde este atributo deixa de vibrar, a força bruta manifesta-se e impede o fluir da liberdade, aniquilam-se os princípios de equidade, desaparecendo o trato social.
Pela perspectiva arcânica, a JUSTIÇA manifesta-se através da Oitava Lâmina. É a linha divisória entre o Mundo Físico e Psíquico ou Anímico. Simbolicamente o primeiro setenário arcânico representa a realidade física, o segundo diz respeito ao Mundo Psíquico e o terceiro diz respeito ao Mundo Espiritual.
A JUSTIÇA neste caso representa o ponto de equilíbrio entre a realidade física e anímica ou psíquica.
É bom lembrarmos que o oito (8) em pé tem um sentido esotérico, deitado tem um outro sentido. Entretanto, meus Irmãos, não iremos nos aprofundar nesta questão, com receio de sairmos do objetivo principal.
A JUSTIÇA ou Têmis ou a Balança representa a vida eterna (Eliphas Levy), o equilíbrio das forças desencadeadas, as correntes antagônicas, a conseqüência dos atos, o direito e a propriedade (Th. Tereschenko), a lei, a disciplina, a adaptação às necessidades da economia (Owirth).
Corresponde, em Astrologia, à natureza da oitava casa do horóscopo.
A JUSTIÇA, cujo número simbólico é precisamente o oito (8), representa a nossa consciência no sentido mais elevado. Para aqueles que fizeram mal uso dos seus poderes, só cabe a espada e a condenação. Para os verdadeiros Iniciados a balança matem o equilíbrio entre o Papa (V) e a Força (XI), esse equilíbrio rigoroso que é a Lei da Organização do Caos no Mundo e em nós mesmos.
“Justiça é a única palavra que representa todo o espírito da Doutrina de Buddha, porque esta ensina que todo homem recebe, em virtude das operações infalíveis e inexorável karma, exatamente a recompensa ou castigo que merece, nem mais nem menos. Nenhuma ação, boa ou má, por mais insignificante e oculta que seja, escapa à equilibrada balança do karma”. Glossário Teosófico, pág. 270.
Com todos estes conceitos, subjetivos e objetivos, verificamos o quanto de metafísica a palavra JUSTIÇA possui.
Na Ordem Aleph podemos conceituá-la como sendo a intensidade fraternal que devemos desenvolver em relação aos nossos Irmãos e aos demais seres. Ser justo para com o Irmão significa mantermos uma relação respeitosa e carinhosa, concernente a toda Irmandade. Sem esta energia emanando de nossos corações, jamais alcançaremos termos de realização espiritual.
Principalmente, nesta fase de degeneração da civilização, o que mais impera é a injustiça. Homens desequilibrados alcançaram o poder e passaram a coordenar, assim, todas as ações em sociedade, causando dor, sofrimento e miséria no seio da humanidade.
Veneráveis Irmãos, esta é uma oportunidade ímpar de vivenciarmos, no interior da Ordem Ale,ph a JUSTIÇA e, assim, glorificarmos a Confraria Mística Brasileira.
A JUSTIÇA, representada pela oitava lâmina, com barrete judiciário amarelo na cabeça, sob o qual inscreve-se um signo solar, é desenhada num trono igualmente amarelo, como o colar que ela usa trançado no pescoço, como a espada que tem na mão direita, como a manga, a balança e o solo.
A JUSTIÇA usa um manto azul por cima de uma túnica escarlate (como a Papisa e o Eremita), mas desta feita, as três cores (amarelo, azul e vermelho) se repartem, mais ou menos, em pé de igualdade.
A Ciência Oculta da Papisa, em azul, divulgada pelo papa de Manto Rubro, chega ao triunfo do ouro, cor solar.
A espada e a balança são os atributos tradicionais da JUSTIÇA: a balança, semelhante àquela que a simples pena de Maat bastava para equilibrar no Tribunal de Osíris, está aqui perfeitamente imóvel. A espada, direita e implacável, como o fiel da balança, servirá para punir os maus.
Já se observou a esse propósito, que a espada e a balança são também os símbolos das duas maneiras pelas quais Aristóteles pôde ver a JUSTIÇA; a espada representa seu poder distributivo, a balança, sua missão de equilibrar o social.
Neste planeta onde os seres estão misturados e pertencem a diferentes categorias, torna-se difícil a prática da JUSTIÇA, mas não podemos deixar de perqueri-la e praticá-la, mesmo sabendo da inversão da pirâmide social.
O Homem Justo cumpre em si mesmo a função da balança, quando os dois pratos se equilibram perfeitamente, face a face encontra em sua frente a própria Eternidade: transformou-se em um Adepto Perfeito, superou a ignorância extraída do Bem e do Mal, ambos os extremos deixaram de existir para ele.
Se o Justo representa o Homem Perfeito, assemelhando-se a um Budha ou a um Cristo Realizado, seu primeiro passo foi colocar ordem em si mesmo, depois em torno de si e, logo em seguida, no planeta. Este papel deverá ser desempenhado pelos Príncipes ou Mestres da Ordem Aleph na Face da Terra.