Simbologia da Letra Aleph

- Primeira letra: 'ALEPH;
- Valor aritmético: 1.

A inicial da palavra ‘Āleph tem sua origem na raiz ┐אּ, pronunciada “eleph”, que significa “boi”; ‘Āleph é o verbo “ensinar”; ‘Āleph é o “príncipe, mestre, esposo”.

A letra mais antiga conhecida é o hieróglifo egípcio, desenhado como uma cabeça de boi carnudo Ŏ. O ideograma do Sinai representa essa mesma cabeça que, mais à frente, na escritura canaânica, se volta até a posição horizontal O e, em seguida, na vertical O, invertida em relação ao primeiro grafismo. Estes últimos desenhos estão relacionados com a origem do α (alfa grego) e da nossa “A” latina.

O hebraico clássico adota o símbolo misterioso que conhecemos como אּ, esculpido de um Wāwך oblíquo, sobre o qual se apóiam dois yōd ¬.

Alguém pode perguntar-se qual é a ligação entre os diferentes conceitos que se relacionam a ‘Āleph אּ e o que representa o desenho da letra, a cabeça cornuda de um animal.

O desenho fala por si.

O símbolo essencial do ideograma se situa nos “cornos”, que se tornaram “coroa” no nível do ‘Āleph אּ final.

“Corno” e “Coroa” são, em essência, a mesma palavra ז ר ק queren, cuja raiz quer dizer, por sua vez, "irradiação", "resplendor", "glória".

Os “Cornos” são antenas erigidas até o céu, para receber dele a informação.

A informação é fonte de força.

No nível do corpo humano, os cabelos, que correspondem aos cornos do animal, são símbolo de força, pois a informação significa muito mais que o sentido que habitualmente lhes damos. Significa “energia que se forma internamente” para quem a conquista.

Aquele que é “informado” tem a “força”, “aprende” e pode “instruir, ensinar”.

Aqui não se trata de um ensinamento intelectual, mas, sim, de uma experiência vivida. Aquele que a vive encontra sua força em si mesmo, no contato que estabeleceu com o núcleo divino, no qual estendeu seus “cornos” para fazer a luz; se diferencia do homem comum, cuja energia se abastece senão nas motivações exteriores, que é a tensão e fonte do esgotamento.

Pouco a pouco se torna chefe, príncipe e finalmente “esposo”. Chega a ser novamente ‘īš, o Homem-Esposo do Gênesis, pois a única vocação da humanidade é que cada um de nós, ‘ādām-‘īš, despose o seu feminino interior – energias que não estão realizadas, ‘īššāh –, com o propósito final de ser desposado por Deus.

Este tema fundamental do Gênesis é relatado, nos mínimos detalhes de suas maravilhas, por cada uma das letras do alfabeto e todas elas têm um papel na história do amor grandioso e terrível que une a Criação a seu Criador.

Encabeçando a história de maneira oculta, está o ‘Āleph. Pois a letra é o símbolo do Esposo Divino, dela inicia o nome טּ¬להאַ ‘Elohīm. E o Esposo divino se retira para dar vez a esposa. Este será o mistério do šabbā¬t.
Em primeiro lugar dá-se, então, ב bēt, segunda letra do alfabeto, que preside o berē šīt, livro do Gênesis e primeiro livro de toda a Revelação.
Oculto na letra yōd ¬, no dia do šabbā¬t, no coração de sua Criação bēt ת¬בּ, o ‘Āleph segue nutrindo aquela que deve tornar-se sua esposa. Ao criá-la à sua imagem, lhe dá seu poder de esposo, ‘Āleph, com o fluir de que o exerça sobre ela mesma o que, ao ser informada pelo poder dos “cornos”, tenha autoridade sobre as energias que embora não tenham sido integradas nela pra crescer e alcançar a categoria de esposa de Deus.

Os “cornos” de ‘Āleph estão erigidos até o céu, fonte de informação; o céu exterior que simboliza nosso céu interno.

Compreendemos então porque o α (alfa grego) e logo nossa “A” latina, cujos “cornos”, invertidos na horizontal, captam suas informações no mundo, perdendo todo o seu poder e se encontrando privados de sentido.

O número “1”, ligado a essa letra do alfabeto, é um número masculino (igual a letra אּ, letra masculina, segundo os hebreus). Simboliza a força divina penetrante que experimentamos em seu ato criador à medida que descobrimos o nascimento das diferentes letras. Todas serão fecundadas pela ‘Āleph, energia essencial, vital, fonte e finalidade universais, Alfa e Omega, diríamos em grego; em hebreu: ‘Āleph e tāw.

A palavra ‘Āleph, que dá seu nome a letra, se escreve acompanhada de duas outras letras: o lāmed ל e o pē fina ף, ou seja ף ל אּ, que tem por valor aritmético 1 + 30 (lāmed)+ 800 (pē fina) = 831. Este número se simplifica em 3 (8 + 3 + 1 = 12, 1 + 2 = 3). O 1 e o 3 são inseparáveis.

Veremos que a letra gimel ג , com valor aritmético 3, é a inicial de uma palavra cujo número (3 + 40 + 30) se simplifica em 1.

Eixo de ligação do “incriado” e do “criado”, o אּ é tão misterioso como o é, analogicamente, o ponto na geometria, o número 1 em aritmética. Nascido do “nada” - ז ¬אּ, ‘ayin – primeiro nome divino revelado, o אּ tem sua origem no “Incriado”; ele mesmo é origem de tudo, se auto-fecunda e se auto-gera em ב (bēt), o 2.

Na escada de rāqya’ šāmayim – a extensão dos céus – do Gênesis, que simboliza a escada de Jacob, é o primeiríssimo degrau, o que toca o mundo divino incriado apesar de sê-lo, este totalmente transcendente.

O alfabeto pode ser visto como uma escada que toca o mundo dos arquétipos por ‘Āleph e a terra, mediante a última letra, o tāw, cujo valor aritmético, veremos, o 400, que significa "a marca", "o sinal", dito com outras palavras, a encarnação.

Porém seria mais exato contemplar cada degrau da escada como se contivesse a totalidade do alfabeto, do ‘Āleph ao tāw, imagem do alfabeto divino das Grandes Letras Divinas, estruturas arquetípicas. Dessa perspectiva, o ‘Āleph é a fonte divina que fecunda e engendra todas as demais letras, para recolhê-las e trazê-las novamente a sua unidade original. É um pólo de respiração para cada um dos níveis do mundo criado, simbolizados por cada um dos degraus da escada.

Em cada um destes níveis, o tāw, a última letra, é sua marca, seu sinal, o “concreto” desse nível. Nessas contradições aparentes, devemos ver uma só gama de riquezas, cuja pluralidade nos impede, e, assim mesmo, traz novamente a Realidade da Criação, na infinita diversidade, a realidade muito limitada que essa única riqueza nos permitiria conceber.

O ‘Āleph corresponde, simbolicamente, ao “dia Uno”da Criação, “dia divino”, pois sabemos que o número “um” - תראּ ‘ehād – em hebraico, é um dos Nomes Divinos. Nesse dia os ‘Elohīm separam a luz das trevas. Eles criam a luz. Deus sai de sua incognicidade. Revela-se nesse “dia Uno”.

A palavra hebrea ף ל אּ ‘Āleph pode ser escrita dessa forma ף ˉ ל אּ, com peh final. ל אּ ‘ēl é a contração do Nome Divino ‘Elohīm. A letra ף, aqui em sua forma final, deve seu nome a palavra הפּ peh, que significa “boca”, “abertura” e, por extensão, “palavra”.

ף ל אּ ‘Āleph pode então ser traduzido por: “Deus se faz por sua abertura”, “Deus se manifesta por seu Verbo”.

Nesse dia Uno, por seu Verbo, Deus se faz luz.

Mas não pode haver luz se não houver receptividade à luz; a primeiríssima obra da Luz-Energia é a de criar receptividade para si mesma.

A segunda letra do alfabeto, ב (bēt), nasce depois do Verbo Divino. Nele se oculta a profundidade do Santo Nome. Ele o recebe, o contém e tem por vocação retornar, em um movimento universal de fluxo e refluxo, de luz e trevas, de altura e profundidade, que lança o primeiro “grito”divino, no mistério do primeiro dia.

A letra ‘Āleph אּ permaneceu em seu lugar oculto, sem apresentar-se, porque o Santo – bendito seja – havia dito que a letra ב (bēt), que seria a base da obra da criação.

O Santo – bendito seja – disse: “‘Āleph, ‘Āleph, por que não te apresentastes diante de mim, como todas as demais letras? Ela respondeu: “Mestre do Universo, ao ver todas as letras apresentarem-se inutilmente diante de ti, por que haveria de apresentar-me à minha vez? Logo, posto que já outorgastes a letra ב (bēt) esse dom precioso, compreendi que o Rei Celeste não retiraria o dom já dado a um outro de seus servos para dar-lhe a outro”.

O Santo – bendito seja – lhe respondeu: “‘Āleph, ‘Āleph, apesar de ser a letra bēt a que utilizarei para realizar a criação do mundo, tu serás a primeira de todas as letras e somente em ti eu terei a unidade; serás a base de todos os cálculos e de todos os atos levados a cabo no mundo, e não se poderá encontrar a unidade em nenhuma parte se não na letra ‘Āleph."

Aleph é a representação gtáfica do Eterno junto à sua criação, ou seja, o Homem ofertando o elo de ligação para o crescimento evolutivo de sua coletividade – a Humanidade.

Aleph foi inserida nos Arcanos, cuja representação espelha o crescimento do Homem registrado em belos e expressivos ícones, como um marco para que a Humanidade em peregrinação possa conquistar a sua libertação, retornando, assim, à sua origem ou à Unidade Perfeita.

A peregrinação do Homem em sua sacrificial caminhada, ciente e consciente de que a libertação só será alcançada através da força da transformação, superação e metástase do karma engendrado em encarnações passadas e presentes, que foram gerados através de sua egoísta vontade...

O Aleph, primeira letra do alfabeto hebraico com o valor de UM, que inserida encontra-se, igualmente, no tarô, na configuração do arcano de número UM (1), denominado da seguinte maneira:
Vulgarmente – O Mago Pelotiqueiro;
Cagliostro – Vontade;
São Germano – O Princípio Ativo do Universo;
Anjo da Palavra – Deus em Movimento, Começo das Coisas.

Neste atual estágio em que se encontra a humanidade, em degeneração, a Grande Fraternidade Branca Universal nos legou o vínculo que podemos estabelecer com o Eterno, através do alfabeto hebraico, que é revestido dos sagrados revestimentos transcendentais.

O alfabeto hebraico é fator de referência para todos os Iniciados na busca da Verdade que nele encerra: Amor, Sabedoria e Discernimento Espiritual.

Podemos denominar os Iniciados como verdadeiros Budhas de Compaixão, que se dão em holocausto em prol da Evolução das humanas criaturas, transformam-se em farol nas trevas da materialidade e iluminam o caminho seguro que seus Irmãos deverão percorrer.

A integração da numerologia e do tarô com o alfabeto hebraico é uma coexistência única; em decorrência temos o seguinte aforismo “o Pai é inseparável do Filho (três) e encontramos, em sacrifício oculto em seu santo recolhimento, a Divina Mãe (dois), como protetora e orientadora de tudo aquilo que surge de si mesmo”.

Aleph auto-fecunda-se e faz surgir de si mesmo Beth, que após esta criação dá nascimento às demais letras do alfabeto hebraico, no total de 22.

O ato de Crear é divino e de gerar é maternal, surgindo de ambos os verbos o Mistério impenetrável aos olhos profanos; entretanto, das trevas nasce a luz, pelo poder da Vontade do Iniciado.

Na Kabalah encontramos vários agrupamentos de letras:

- As Três Letras Mães:

ALEPH - Primeiro Logos - primeira lâmina - O Mago;

MEN - Segundo Logos - décima terceira lâmina - A Morte;

SHIN - Terceiro Logos - vigésima primeira lâmina - O Louco.

 

- As Sete Letras Duplas:

BETH - A Papisa - segunda lâmina - Lua;

GHIMEL - A Imperatriz - terceira lâmina - Vênus;

DALETH - O Imperador - quarta lâmina - Júpiter;

CAF - A Força - décima primeira lâmina - Marte;

PHE - As Estrelas - décima sétima lâmina - Mercúrio;

RESH - O Julgamento - vigésima lâmina - Saturno;

THAU - O Mundo - vigésima segunda lâmina - Sol.

 

- As Doze Letras Simples, expressando também o Zodíaco:

HE - Áries - quinta lâmina - O Papa;

VAU - Touro - sexta lâmina - O Amoroso;

ZAYN - Gêmeos - sétima lâmina - O Carro;

HETH - Câncer - oitava lâmina - A Justiça;

TETH - Leão - nona lâmina - O Eremita;

IOD - Virgem - décima lâmina - A Roda da Fortuna;

LAMED - Libra - décima segunda lâmina - O Enforcado;

NUM - Escorpião - décima quarta lâmina - A Temperança;

SAMEK - Sagitário - décima quinta lâmina - O Diabo;

AYIN - Capricórnio - décima sexta lâmina - A Casa de Deus;

TSAD - Aquário - décima oitava lâmina - A Lua;

COPH - Peixes - décima nona lâmina - O Sol.

 

Verificamos que o alfabeto hebraico encontra-se revestido do Sagrado e é encoberto pela Maya, para ser protegido dos olhos curiosos dos profanos.

Todo o alfabeto tem origem em Aleph, como se fosse o DNA do ser humano e, assim sendo, os valores reais são possuidores de características próprias, personalidade e espírito.

Aleph e Beth representam a fonte da creação e geração, sendo que toda filosofia hermética que emerge do seio do povo hebreu, até os dias atuais, é vivenciada por todos israelenses e este segredo é transferido de geração a geração.

Na realidade, são poucos os seres que percebem a força que emana do sacro-santo binômio ALEPH + BETH e esta conjugação divina expressa os Gêmeos Espirituais, em outras organizações iniciáticas, ou o Casal Originário contido na Bíblia.

Aleph polariza-se com Beth e ressalta a sua beleza no sacro-ofício de doar-se na geração de suas Irmãs, estabelecendo a primeira polaridade cósmica e terrena.

Aleph é a expressão do espírito e Beth da realidade terrena. Ele refugia-se no interior Dela para demonstrar a interiorização da Suprema Lei.

Esses valores espirituais encontram-se à disposição de todos os seres de boa vontade, basta fazermos um movimento para dentro e ali encontraremos vibrando Aleph / Beth.

Aleph é esplendoroso, irradia de si mesmo a luz que emana do Eterno e, para ocultar sua transcendência que é ÚNICA, refugia-se em Beth, que denominamos de Casa ou Morada do Altíssimo.

No sânscrito, no hebraico e em outros alfabetos, cada letra possui um significado oculto e sua razão de ser é uma causa e um efeito de outra causa precedente e a combinação destas produz mágicos efeitos. HPB, na Doutrina Secreta, sentencia: “As vogais, em especial, contém as potências muito ocultas e poderosas”.

O homem deve ter registrado em sua mente o período em que o povo hebreu esteve cativo no Egito, por várias gerações, sob a tutela dos faraós e das classes sacerdotais e militares egípcias.

Nesta fase o povo hebreu assimilou costumes e conhecimentos dos mais secretos que vibravam no Egito e Moisés foi o Grande Veículo da Lei nesta conquista.

Os egípcios grafam a sua primeira letra por um círculo, encimado por uma meia lua, como se fosse um par de chifres, numa perfeita estilização de uma cabeça de boi; deste grafismo surge a letra grega "Alfa", na posição horizontal, bem como a letra “A” maiúscula latina.

A primeira letra egípcia expressa a confrontação das polaridades criativas que se encontram na estrutura do signo de touro, sol e lua.

Ressaltamos, para maior entendimento, que o renascimento anual para os egípcios ocorria na conjugação de sol e lua (Lua Nova), no signo de Touro.

O Boi Ápis, consagrado a Osíris, possuía sob o seu chifre o emblema de Ísis, que era uma Lua Crescente.

Os chifres, desde a antiguidade, alegorizavam antenas voltadas para o firmamento, a fim de captarem os sagrados conhecimentos emanados do Eterno, que eram canalizados pelos seus filhos eleitos na Terra. E aquele ser possuidor dos Sagrados Conhecimentos Iniciáticos, tem reais poderes sobre o seu povo e reúne em si a coragem para conduzí-los à Terra Prometida e foi exatamente esta postura assumida por Moisés.

A Ordem deverá produzir em seu interior Príncipes, Mestres, Irmãos e excelentes Esposos, para que possamos gerar, na Face da Terra, seres que pautam suas vidas nos princípios da Misericórdia, que podemos interpretar como a prática do Amor, Bondade, Afeição, Respeito por todos os seres da criação.

A Irmandade deverá buscar, com determinação, seu autoaperfeiçoamento, extrair a Sabedoria através de suas vidas diárias, vendo-a manifestada na natureza interna e externa, em si mesmo e nos demais seres que vivem e interagem ao seu redor.

Buscar a vivência da Justiça no interior da Ordem, praticá-la no mundo e, com inteligência superior, detectar na vida coletiva atos de injustiça, que prejudicam os seres em nível individual e coletivo.

Este comportamento assumido pelo Irmão será o legítimo reflexo da Letra Aleph, pertinente ao seu conteúdo filosófico, sendo o contrário a sua negação quanto ao juramento prestado diante da Família Aleph.

Veneráveis Irmãos, podemos nos aprofundar muito mais nos princípios filosóficos contidos na Letra Aleph, mas deixaremos que este aprofundamento seja realizado por cada Príncipe da Ordem.

 

Estudo numérico - Aleph

O         R         D        E        M
1   +   70   +   4   +   1   +  600 = 676
aleph kwain  daleth  aleph    mem

A         L         E         PH
1   +   30   +   1   +   800 = 832
aleph  lamed  aleph     phe

                                                       ou        ou
   676 ∆ 6 + 7 + 6 = 19      ∆ Koph    ∆ 19     ∆ 1 + 9 = 10
∆ 1 + 0 = 1

+ 832 ∆ 8 + 3 + 2 = 13      ∆ Mem     ∆ + 13  ∆ 1 + 3 = 4∆

+ 4 
                                                      32 ∆ 3 + 2 = 5 

1508 ∆ 1 + 5 + 0 + 8 = 14
∆1 + 4 = 5

19 = Koph ∆ Instrumento Cortante, Occipício ∆ Kadosh (Santo)
13 = Mem ∆ Mulher, Água ∆ Meborakh (Abençoado, Bendito)
5 = HE ∆ SOPRO VITAL, SEBE ∆ HADOM (MAJESTOSO)