REFLEXÕES DO PROFESSOR MANOEL FERREIRA
CAPÍTULO IX
Muito embora JHS e Mário Roso de Luna afirmarem não haver diferença entre os termos teósofo e livre pensador, é comum entre os espiritualistas a permanência de uma idéia de divindade separada de sua manifestação, mantendo por conseqüência a tônica religiosa imprópria às instituições Teosóficas.
C. Ferreira esclarece: “A filosofia esotérica repele como errônea a idéia de um Deus pessoal, o que vale dizer que não pode admitir a idéia de um Deus criador, como ensinam as religiões”.
Na obra A Chave para a Teosofia, edição francesa de 1931, da autora Helena Petrovna Blavatsky, encontramos o seguinte diálogo:
Croyez-vous en Dieu?
Cela dépend de ce que vous entendez par ce terme.
Je veux parler du Dieu dês cherétiens, du père de Jèsus, du crèateur; du Dieu moise, en um mot.
Nous ne croyon point en un Dieu semblable à celui-là.
Definindo a lei de harmonia universal, assim se expressa Blavatsky: “Há uma lei eterna na natureza que tende sempre a ajustar os opostos e a produzir uma harmonia final. Mercê a esta lei de desenvolvimento espiritual, a humanidade ver-se-á livre de seus falsos Deuses, encontrando-se finalmente redimida por si mesma”.
Afirma JHS: “Dhyan-choan ou planetário, cujo corpo físico é a própria terra, quarto globo do nosso sistema, tal ser, o planetário dirigente do globo, deve, portanto viver no interior do seu corpo físico, no seio da terra, e receber o auxílio Tulkuístico de seus irmãos dirigentes dos outros seis globos”.
Comenta o venerável C. Ferreira: “O logos, o mesmo Dhyan-choan ou espírito planetário, surge, com seus irmãos, em número de sete, ao impulso da manifestação, como experiências passadas ou de outros dias de Brahmã, e constituem, coletivamente, a ideação cósmica, que vai modelar um novo universo segundo as experiências anteriores. Assim, os espíritos planetários objetivos últimos a que tende o impulso evolutivo das mônadas no plano do ser, não mais estão sujeitas a erros, visto que constituem eles a própria mente cósmica”.
Mente cósmica que, através de Purusha e Prakriti, ou espírito e matéria universais, torna-se a ideação cósmica, que denomina de demiurgo, o construtor, com suas legiões criadoras.
Ideação cósmica que, objetivada, constitui-se no logos criador que engloba o conjunto de sete altíssimas inteligências (dhyan-choans ou planetários), e que são a raiz do setenário na natureza.
Sendo assim, os sete raios de Purusha fundidos às sete Prakritis constituem o universo ativo e representam as sete hierarquias primordiais de Prakriti e as sete hierarquias do raio divino.
As hierarquias do raio divino constituem a parte interna das do raio primordial. Espírito e matéria, traduzidos nas três hierarquias arrúpicas: leões de fogo, olhos e ouvidos alertas e virgens da vida, agindo através da quatro hierarquias rúpicas: Assuras, Agnisvatas, Barishads e Jivas. Estas últimas é que constituem, propriamente falando, as hierarquias criadoras.
Comenta C. Ferreira:
“Em verdade Parabrahm só pode ser entendido por um iniciado, ou melhor, por um iluminado, como um princípio, como uma lei.
Que lei é essa? O nome que melhor lhe cabe é lei de harmonia universal, e seus aspectos fundamentais nos mundos contingentes, isto é, seus reflexos são a lei de causalidade (karma) e a lei da evolução”.