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REFLEXÕES DO PROFESSOR MANOEL FERREIRA

CAPÍTULO VII

Afirma JHS na revista Dharana , número 54, página 98, publicada no ano de 1930: “De fato a Teosofia é a arca da salvação”.

Noutra passagem, o Mestre escreve: “A S.T.B. é a arca da salvação”.

Em seus estudos, a cada passo, ressalva a arca é a própria Agartha.

A arca da salvação identifica-se com a Confraria Branca dos Bante-Jaul. Entende-se que Agartha é conhecida também como Confraria Branca dos Bante-Jaul, que se traduz por Sudha-Dharma-Mandalam, com seus altíssimos espirituais, interiores, ocultos ou subterrâneos valores de fraternidade, sabedoria, pureza, sacrifício, justiça, amor,verdade... Enfim, Agartha, e na sua mais perfeita essência, Shamballah

Para melhor compreensão do mundo subterrâneo, o Mestre transcreve a profecia do Rei do Mundo, a qual transcrevemos um fragmento:

“Enviarei um povo, agora desconhecido, que, com mão firme arrancará as más ervas da loucura, e do vício e conduzirá aqueles que ficarem fiéis ao espírito dos homens na batalha contra o mal. Eles fundarão uma nova vida sobre a terra purificada pela morte das nações. Então os povos de Agartha sairão das suas cavernas e aparecerão na face da terra”.

Segundo o Mestre, esse povo será constituído de quantos queiram se alistar sob o alvo estandarte da paz, do amor, da sabedoria e da justiça, estandarte esse desfraldado pela S.T.B. (hoje S.B.E.), pois é ela a anunciadora de uma nova era para o mundo.

A Teosofia, nos dizeres de J.H.S., é a arca da salvação, na qual poderão navegar desde já, sobre as ondas tempestuosas do mar da vida, todos os homens de boa vontade, livres de preconceitos, isentos de ódio, com a ânsia de um ideal verdadeiro, onde possam abastecer a sua mente e seu coração com a sabedoria e o amor, dons naturais de todo o homem.

Comentando a profecia do Rei do Mundo, o Mestre nos diz:

“Depois de tão assombrosa quão reveladora profecia, só nos resta dizer aos céticos e maliciosos de todos os tempos , por mais sábios que se julguem, e sem receio algum de cairmos no ridículo, que existe sim, um mundo misterioso que nos fica bem próximo. Como se fosse ele próprio o coração do mundo a palpitar nas entranhas da terra, se reflete na superfície com miríade de olhos, boca e ouvidos, a perscrutar os atos e pensamentos, tanto dos homens bons quanto dos maus...

Reverso da medalha do mundo mayávico ou das ilusões dos sentidos, no entanto, é ele real e verdadeiro para aqueles que possuem o direito de perceber as coisas com os olhos da alma e do espírito.

O outro, é um mundo onde , embora sendo o mundo da evolução da mônada, habitam inúmeros loucos que, imitando o principal personagem do drama shakerspereano, examinam o seu próprio crânio vazio, na esperança de resolver os grandes problemas da vida, sem a certeza natural dos que palmilham a vanguarda da humanidade, com seus guias e protetores, adeptos ou iluminados.

O Rei do Mundo é o mesmo Planetário da Ronda, o Manu primordial, e conhecido nas escrituras orientais através do termo Maitri e Maitreya.

Maitri equivale – como Planetário da Ronda – ao Manu Semente e Manu Colheita. Por isso, todos os demais, preciosas folhas dessa prodigiosa árvores de sabedoria, como os próprios Budas o são da árvore de Adi-Budha.

Trata-se do lema de certa fraternidade ao norte da Índia, ou seja, Adi-Budha Vahan Budha, significando Budha veículo de Adi-Budha, o que por si só explica tudo mais quanto nos fosse dado revelar sobre tão transcendental mistério.

Bem se pode dizer que Akdorge é, ao mesmo tempo, o escudo defensivo da própria humanidade, até que se manifeste em sua forma integral, o mesmo Amatri, como redentor-síntese, ou antes, o verdadeiro prometido ou anunciado, desde tempos imemoriais, pelos Rishis, Munis, Arhats, Sibilas, Profetas.

Jorge, George ou Gorje, como é chamado em certas línguas, valem pelas duas sílabas finais do Cavaleiro Akdorge ou Akdorge das tradições transhimalaias, como comandante e chefe dos exércitos do Rei do Mundo (do grande senhor), de Matri ou Maytreya. Nesse caso, semelhante ao mesmo arcanjo Miguel ou Mikael, que deu combate aos exércitos do mau, e que se acha a porta do paraíso terrestre, com sua espada flamígera, não para que para ali não volte mais a primeira parelha humana, como quer a bíblia, mas, até que chegue a idade do andrógino vitorioso, na razão do que aconteceu a chamada queda do sexo...

Akdorge, como escudo de Maitri, representa o ronco ou a origem da prodigiosa série dos Yokanaãns , como arautos ou anunciadores daqueles , através dos seus Avataras, senão, de todos os Manus raciais, desde que Maitri equivale, como planetário da ronda, ao Manu-semente e Manu-colheita.

Miguel ou Mikael é um dos sete arcanjos da igreja, figurado no candelabro das sete velas, nas sete trombetas da visão de Ezequiel, etc... que nada mais diferem dos dhyans-chohans ou espíritos planetários, das mesmas tradições Orientais, como também dos Amesha-Spenta ou Ameshaspend, como sete gênios benfeitores, que na tradição mazdeísta assistem a Ahura-Mazda.”

É por demais evidente o paralelismo sempre proposto pelo Mestre: o homem individual de um lado, e a coletividade como um todo, a raça ou a humanidade, de outro, todos em luta contra o seu Karma sombrio, ambos expressando-se em Akdorge, cujo nome não se distingue dos de Miguel e Maitri...

Por isso, ao mesmo tempo Akdorge é o escudo de Maitri e da própria humanidade.

Se considerarmos a definição como síntese dos valores evolutivos da humanidade teremos o Matri. Se considerarmos a manifestação da divindade dissolvida em miríades de seres humanos em sua conquista de redenção, teremos a Humanidade.

Manifestar-se em sua forma integral, referindo-se ao Matri, como redentor síntese, o verdadeiro prometido ou anunciado desde tempos imemoriais, pelos Rishis, Munis, Arhats, Sibilas, Profetas...significa o mesmo que a humanidade ter alcançado a sua total iluminação, redenção, libertação, salvação.

Repetindo o pensamento do Mestre, Maitri (planetário da ronda, senhor de todo o contexto evolutivo), equivale ao Manu-semente e Manu-colheita, ou, falando de outro modo, àquele que se manifesta em miríades de seres (espírito meterializando-se) colimando com a sua iluminação coletiva ou integral (matéria espiritualizando-se), na humanidade ou raça, na formação dos pramanthas, vitoriosas por seus esforços, donde a simbologia de São Jorge, Perseu e Andrômeda, Prometeu a espera de Epimeteu, A bela adormecida salva pelo beijo do príncepe, e, finalmente, Akdorge, como resultado global da secreta luta de cada célula humana pela conquista de seus integrais valores evolutivos... Equivale, por efeito de reciprocidade, ao próprio planetári, entidade coletiva ou espiritual, ou, ao mesmo Maitri, como sua manifestação na face da terra.

Efatiza JHS em Dharana número 123, de Janeiro à março do ano de 1945, em sua página 11: “o termo instrutor do mundo (...) refere-se nas escrituras ocultistas e teosóficas ao dirigente espiritual de nosso globo ou planeta.”

Em outras palavras, trata o Mestre do Planetário da Ronda. Nas tradições transhimalaianas possui vários nomes, dentre eles encontramos: Erdemi, Maitreia, Akdorge (o mesmo arcanjo Miguel da igreja, que em grego é Mirrail, significando, segundo a sua pronúncia “aquele que é como Deus, ou, semelhante a Deus”, ou, em verdade, aquele que O representa na terra).

Em Dharana número 104, de abril a junho de 1940, lemos na página 47: “Razão pela qual de veria a humanidade tomar por simil a Akdorge que, esmagando com as quatro patas de seu cavalo o dragão por ele mesmo enlanceado (os quatro príncipes inferiores teosóficos, esmagados pelos três superiores, a tríade, a mônada, a consciência imortal) aponta ao homem que deve fazer a mesma coisa, isto é, dominar os seus instintos inferiores, o espírito do mau que nele habita, ou seja, o dragão do umbral, o mau karma proveniente de suas vidas anteriores..., karma também proveniente de sua origem, na razão da queda do espírito na matéria. Por isso que deve alcançar a sua própria redenção, superação, etc... por esforço próprio, na razão do “faze por ti, que Eu te ajudarei...”.

Alcançar a sua própria redenção, superação, etc., por esforço próprio , significa realizar-se humanamente, iluminar-se, tornar-se um adepto.

Os grupos ou coletividades de 777 seres que façanha tal alcançaram, constituem os Pramanthas que, como ensina o Mestre, vão fazer Avataras em Mahatmas, e estes, finalmentes em Manasaputras, no panteão Shambalino. Isso significa interiorizar cada um individualmente, e descer aos mundos subterrâneos coletivamente.

Sobre os Manasaputras custodeados em Shamballah, diz o mestre: “nas escrituras teosóficas e ocultistas, se afirma que os senhores de vênus (senhores de compaixão como também são chamados) quando baixam à terra para auxiliar os homens ... são portadores de três dádivas: mel, trigo e formiga. Em outros estudos já tivemos ocasião de dar o significado de tão estranhas coisas para serem trazidas para o mundo humano: mel em relação à sabedoria de que eram eles portadores; trigo como alimento material, o pão nosso de cada dia... enquanto a formiga, animal que destrói o humano esforço, o karma, a luta pela vida, na razão de ganharás o pão com o suor de teu rosto...

Os termos Maitri e Maitreia ligados se acham estreitamente ao mistério da letra M, comprovante da hierarquia dos Makaras, ou seja, aqueles que na terceira raça-mãe (Lemuriana), concederam aos homens o mental (manas) e o sexo... A citada hierarquia tem por expressão cósmica o signo de Taurus, que, como se sabe, é Vênus”. (revista dharana, de janeiro e fevereiro de 1961, páginas 15 e 16).

Como se constata, sempre os aspectos deíficos estão subjacentes aos humanos. Jamais, em JHS, os Deuses se encontram “religiosamente” separados da humanidade, como se pode comprovar: Maitri e Maitreia ligados a Makaras, para os valores da mente e do sexo.

Makaras ou Kumaras, senhores do Karma (mel, trigo e formiga, ou, sabedoria, perpetuação e karma) pelo signo de Taurus, ligado a Vênus.

Novamente senhores de Vênus ou Manasapuras, e daí, a Makaras ou Kumaras, Maitri, Planetário, e outra vez, a Humanidade...

Comentando René Guènon, em Dharana números 9/10, março e junho de 1953, página 53, no artigo Os mundos subterrâneos e o Rei do mundo JHS afirma:

“Perto de luz dizem existir uma amendoeira (em hebreu LUZ) em cuja a base se encontra uma concavidade, por onde penetra em um mundo subterrâneo, o qual conduz a mencionada cidade secreta.... Nem mesmo assim, o ilustre cabalista Renè Guénon, conseguiu descobrir de que cidade se tratava. De nada lhe valeu um nome tão preciosos como o de LUZ... Digamos nós aqui, sem rebuços, o prodigioso nome dessa cidade: Shamballah. É essa oitava cidade subterrânea que, conjuntamente com as outras sete, a ela subordinada, forma o tão debatido e, por isso mesmo, pouco conhecido Reino de Agartha.

Em face da famosa sentença hermética que nos ensina de que o que está em cima é como o que está em baixo,e portanto, o nosso globo reproduziu em baixo o que se acha no alto, tal como o homem que é do macrocosmo o microcosmo, pode o autor citado lembrar-nos o que é bem conhecido de todos quanto possuam profundos conhecimentos da ciência oculta: Situa-se LUZ na extremidade da coluna vertebral. Tal fato, parecendo bastante estranho esclarece o que nos afirma a tradição indu, a qual localiza nesse lugar a força denominada Shakti considerada imanente no ser humano.

Ao próprio seio da terra se denomina laboratório do Espírito Santo, por ser o lugar onde vive em atividade o Fogo Cósmico que tanto vale por Kundalini. É ainda a razão por que se dá a tal região o nome de omphalo ou umbigo, seio, útero etc. da terra. A Kundalini achando-se na extremidade da coluna vertebral, ou cóccix do homem, está em relação com o chacra ou centro de força Muladhara (chacra raiz como sede dos demais), o qual possui quatro pétalas, ou, melhor, é dividido em forma de cruz na mesma razão da terceira emanação divina ou Espírito Santo”.

Novamente a presença humana indissolúvel da divina: luz, Shamballah, Kundalini, ou fogo cósmico para laboratório do Espírito Santo...

O Chacra Muladhara, pela forma, o ideograma do terceiro trono, para emanação divina do Espírito Santo...

É o próprio Renè Guénon, em sua obra O Rei do Mundo (página 127), que diz:

“Do testemunho concordante de todas as tradições de que existe uma Terra Santa por excelência, extrai-se claramente uma conclusão: é a afirmação de que existe uma Terra Santa, por excelência, protótipo de todas as outras Terras Santas, centro espiritual, ao qual todos os outros centros estão subordinados. A Terra Santa é também a Terra dos Santos, a Terra dos bem-aventurados, a Terra dos viventes, e a Terra da imortalidade; todas essas expressões são equivalentes, mas é preciso ainda juntar a de Terra Pura, que Platão aplica precisamente a Morada dos Bem-aventurados. Situa-se, habitualmente, essa morada num mundo invisível, mas, se quiser compreender do que se trata,não se deve esquecer que se passa o mesmo com as hierarquias espirituais de que falam também todas as tradições e representam, na realidade, os graus de iniciação”.

Importa, no trecho citado de Renè Guénon, destacar as notas que faz sobre a Terra Pura, e as várias Terras Santas das tradições. Eis uma:

“Entre as escolas Budistas existentes no Japão, há a de Giô-dô, cujo nome se traduz por Terra Pura; isso faz recordar, por outro lado, a denominação islâmica dos irmãos da pureza – Ikhwân Es-Safâ – sem falar dos Cátaros da idade média ocidental, cujo nome significa puros...”.

Afinizado está com estas afirmativas está opensamento de JHS, expresso em Dharana (números 15 e 16, de janeiro e fevereiro de 1961):

“Esotericamente falando é como se dissesse: Agartha é o corpo, Shamballah, a cabeça. Ambas são por demais conhecidas dos preclaros membros da Grande Fraternidade Branca ( do Himalaia, outrora), com o nome Sudha-Dharma-Mandalam (Sudha – pureza; Dharma – lei; Mandalam – fraternidade, isto é, irmãos da pureza, fraternidade dos homens puros, que mantém a lei no mundo, etc...)

Os diversos mundos são propriamente estados e não lugares, embora possam ser descritos simbolicamente como tais. O vocábulo sânscrito Loka, que serve para designa-los, e que é idêntico ao latim lócus, encerra em si a indicação desse simbolismo espacial . Existe também um simbolismo temporal, segundo o qual esses mesmos estados são descritos sob a forma de ciclos sucessivos, embora o tempo, tão bem como o espaço, não seja, na realidade, senão uma condição própria de um dentre eles,de forma que a sucessão não é aqui senão a imagem de um encadeamento causal.

O Rei do Mundo, colocado entre as colunas da justiça e da paz, possui de fato o papel de lei ou dharma, embora nele se englobem as três funções,na razão de três trombetas para uma só boca, ou, das três pessoas distintas para uma só verdadeira, visto ser Ele a representação da própria divindade na terra.

A esse mistério da trindade está ligado o termo Maitri, ou, o três vezes passado por Mayá, senhor dos três mundos, vitorioso das três gunas ou qualidades da matéria, ou seja, no homem, o equilíbrio dos seus três corpos, equilíbrio que faz dele um Adepto, um homem perfeito, Mahatma - o homem que, por seus próprios esforços, alcançou a iluminação, a libertação, a salvação! Budhi-Thaijasi, ou, a alma humana iluminada pela alma espiritual, mônada integrada à personalidade, assimilação e vivência constante dos valores internos ou espirituais, superiores, deíficos, agartinos...”.

Os Kumaras, os Manasaputras, o Rei do Mundo e seus ministros, os Dhyanis, os Rishis e as Plêiades, os Mahatmas, os Jinas, enfim, os Deuses existem, em especial modo nos mundos interiores, que JHS denomina mundos subterrâneos. Terra, Humanidade ou Deus. No interior da Terra, a Humanidade no seu aspecto espiritual...

Tais mundos se alcançam pela via interna, pois, rompendo-se a casca material e penetrando-se no subjetivo é que atingimos a interna realidade espiritual , ou, pelo menos, em estância inicial, uma outra dimensão,não apenas humana, mas também espacial, pela certeza de que onde se encontra o Ser, aí está o espaço, por indissolúvel polaridade manifestativa.

Nos planos de Prakriti (físico-físico) estamos nós, corpo de matéria, por fora como por dentro, tanto no que se refere ao homem como ao planeta.

“A natureza caminha paripasu com a humanidade”, ensina-nos JHS. Entre nós e os outros, as coisas ditas materiais, o espaço e o meio natural físico, que, embora construído sobre três dimensões, por constante transformação, abarcará as quarta, quinta e sexta dimensões, ligadas todas elas às precedentes, constituindo os mundos superiores de quatro dimensões (astral); de cinco (mental); de seis (espiritual); etc...

Portanto, não constitui nenhum absurdo dizer-se que esses seres superiores “vivem” dentro do homem, no coração da humanidade, no inconsciente coletivo de Jung, no útero da Terra – Terra essa que se esquematiza no hexágono, o Vau, que liga e desliga os três superiores dos três inferiores e que, como objetivação do quarto mundo cabalístico, pertence ao próprio trono , donde procede ou emana o próprio Maitri, síntese de tudo, ou, como diz JHS, “senhor das três Mayas ou mundos...”.

Sim, tais seres superiores e sua contraparte espacial,existem dentro do homem, no que este respeita como indivíduo; coletivamente, no coração da humanidade, e, para o todo, diz-se no seio do útero da Terra... De outro modo poderia se expressar? Quando sonhamos cenários imensos com montanhas, cidades nunca vistas, céus pejados de estranhas naves, bibliotecas, viagens, multidões... Onde estão, senão, em nós,dentro de nós? Creio, é o sentido, só que não é sonho... E tão-somente aí, dentro de nós, podemos vê-los e ouvi-los, e, com eles, igualmente, existir.