O Caminho do Guerreiro de uma Nova Era
Falar sobre o caminho é, certamente, falar sobre uma tendência que nutrimos através de várias vidas, em buscar no exterior a nossa motivação existencial.
Peregrinam milhares de almas humanas por incontáveis ciclos de nascimentos e mortes (a Roda do Samsara), que traz, de um lado, o sofrimento, e de outro, a possibilidade de iluminação.Resta-nos reconhecer e escolher o caminho a seguir.
A causa primeira de tantas guerras e desigualdades, fomentadas pelo ódio ou por ideologias completamente deformadas, está justamente no fato de não percebermos que a personalidade esconde sempre suas próprias mazelas, apontando em outros os problemas que são, em verdade, tão somente de quem os vê.
A personalidade avarenta enxerga em outras pessoas a avareza, que, na verdade, é reflexo da sua; o ciumento enxerga no outro o seu próprio ciúme; o hipócrita luta contra a hipocrisia de seu irmão...
A expressão personalística, muitas das vezes, está de tal forma dissimulada, que não raro encontramos grandes dificuldades em identificá-la.
O pior é que, muitas vezes, ao não identificarmos que estamos sendo vítimas de uma manifestação egóica (no sentido esotérico), corremos o risco de nos aprisionarmos ainda mais nas próprias teias da ilusão, trocando o verdadeiro pelo transitório, o permanente pelo impermanente.
É preciso analisar se, de fato, nossa forma de vida, nosso sistema religioso ou filosófico, está nos conduzindo, verdadeiramente, ao autoconhecimento, ao despertar de nossas potencialidades divinas ou, pelo contrário, se está nos escravizando, deixando-nos dependentes e frágeis frente à vida real.
O homem que decide trilhar pelo caminho da espiritualidade, o caminho do verdadeiro guerreiro, antes de mais nada deve perceber com clareza suas próprias mazelas e não as do outro; deve combater a si mesmo e não ao outro; deve preocupar-se com o que pensa do outro e não o que o outro pensa dele.
Faz parte do passado a concepção de que guerreiro é aquele que empunha espadas ou armas e, de uma forma quase que selvagem, derrama sangue de seus inimigos. O mundo já não deveria precisar mais desse tipo de pessoas.
O verdadeiro guerreiro não é aquele que, por ódio, inveja ou qualquer outro motivo, derruba seu irmão, pois isso é fácil, não há, verdadeiramente, nenhum mérito, mas sim, é aquele que reconhece, luta e vence a si próprio.
Reconhecer e combater as sutilezas da personalidade, realmente, não é fácil, mas, se não for esse o caminho, qual outro será? Que todos conheçam a felicidade e suas causas!
Leonardo A. Maia