Fase 2
Em seu preciosíssimo estudo “Explicação dos Símbolos pelas Dimensões do Espaço”, publicado em O LUZEIRO nº 12, de maio/1953, revela JHS que “Ninguém ignora que nosso mundo físico é construído sobre três dimensões: altura, largura e comprimento, mas que sendo TRÊS já denota haver uma quarta coisa. Chamemo-la de CRUZ ou PRAMANTHA, pois que, aparentemente fixa, no entanto, está sempre em MOVIMENTO. Nesse caso, vemos aí a QUADRATURA DO CIRCULO. Nosso próprio TEMPLO em São Lourenço, dedicado à Paz Universal e a todas as religiões do mundo, obedece à semelhante feitio; é quadrado por fora e circular por dentro.
“As quarta, quinta, sexta e sétima dimensões – ligadas todas elas às precedentes – constituem os mundos superiores de quatro dimensões (astral), de cinco (mental), de seis (espiritual), etc, não podendo ser representado por meio de figuras em nosso espaço pelo que nossos sentidos não as podem perceber. E nosso cérebro, que só possui as três dimensões da matéria física, por sua vez, é incapaz de as conceber”.
“Finalmente, os mais entendidos em assuntos esotéricos, principalmente os que cursam em nosso COLÉGIO INICIÁTICO, já terão compreendido que a maior razão de ser deste estudo é demonstrar a possibilidade da existência daqueles três mundos, mais conhecidos como Mundo Jina ou de DUAT, AGARTHA e SHAMBALLAH, digamos, como reflexos – no seio da Terra – dos três mundos superiores, ficando a face da Terra como “ponte” que liga e desliga, ao mesmo tempo, os três mundos superiores dos três inferiores, esquematizados no Hexágono, o seis, o Vau (arcano desse numero), estreitamente ligado ao SEGUNDO LOGOS. De outro modo, evolução alguma poderia ser levada a efeito no mundo ou GLOBO TERRESTRE”.
É claro e simples o nosso Mestre ao ensinar que três dimensões em MOVIMENTO produzem uma QUARTA. Mas, preciso é que se destaque, de imediato transpõe este conceito para o feitio do Templo: “quadrado por fora e circular por dentro”, a nos insinuar que não interessa, para o caso, o mero aspecto matemático ou geométrico, como não interessa, do mesmo modo, quanto ao movimento, a sua dinâmica, donde mencionar a CRUZ ou PRAMANTHA.
Ora, o círculo é a própria representação do Movimento a traduzir-se por EVOLUÇÃO, de que o Templo constitui o marco mais perfeito neste ciclo, pois expressa o ponto mais alto a que chegou a Mônada, através do Itinerário de IO.
Chama-se de “mundos superiores” as quarta, quinta e sexta dimensões. Declara, tais mundos como que se REFLETEM no SEIO da Terra, e que tais “reflexos” constituem os mundos de DUAT, AGARTHA e SHAMBALLAH, sintetizados numa única expressão: MUNDO JINA.
Diz, finalmente, que a terra está no meio. É a PONTE que LIGA e DESLIGA, ao mesmo tempo, os três mundos superiores dos três inferiores, fazendo notar que ela, a Terra, é que se esquematiza no HEXÁGONO, donde o “seis, o Vau (arcano desse número), estreitamente ligado ao SEGUNDO LOGOS”.
De fato, JHS, no estudo citado, vai nos dizer logo adiante que “a esfera simboliza o ESPAÇO DE SEIS DIMENSÕES. Como o mundo físico possui três dimensões, o mundo de quatro será o ASTRAL, o de cinco o MENTAL, o de seis o ESPIRITUAL, o de sete (ligado a um oitavo), a UNIDADE PERFEITA”, “cujo verdadeiro símbolo é o ponto, obscuro, pela sua luminosidade demonstrando, portanto, que aí é onde está o ESPAÇO SEM LIMITES”.
Tudo, pois, como compreendemos, resume-se a seis dimensões: três superiores - astral, mental e espiritual, e três inferiores (reflexos) – Duat, Agartha e Shamballah. A Terra e pois o HOMEM, no seu espaço de três dimensões – Jiva, Onda de Vida do quarto Sistema, pivô da Evolução, com a faculdade de ligar e desligar, ao mesmo tempo, toda a realidade e vivência de tão fantástico METABOLISMO.
Em seus comentários ao “Rei do Mundo”, de René Guénon (DHARANA 15 e 16, jan/fev 1961), diz JHS: “A existência de AGARTHA provém da catástrofe atlante. No começo ela NÃO ERA SUBTERRÂNEA. Estreitamente ligada ao chamado país de SHAMBALLAH”, muito conhecido nas escrituras teosóficas e ocultistas, principalmente entre os verdadeiros ROZACRUZES, no entanto, não se deve confundir uma coisa com a outra. Esotericamente falando, é como se dissesse: AGARTHA é o corpo, SHAMBALLAH, a cabeça.
“Ambas são por demais conhecidas dos preclaros Membros da Grande Fraternidade Branca (do Himalaia, outrora), com o nome de SUDHA-DHARMA-MANDALAM (Sudha – pureza, Dharma – Lei, e Mandalam – fraternidade, isto é, os Irmãos da Pureza, a Fraternidade dos Homens Puros, que mantém a Lei no mundo, etc).
“Com a AGARTHA também está relacionada a “Confraria dos Bhante-Jaul”.
Em DHARANA 9/10, mar/jun 1959, pág 59, JHS afirma positivamente: “A Agartha também é conhecida com “Confraria Branca dos Banthe-Jaul, locução sânscrita cujas iniciais nos lembram as das duas colunas do Templo de Salomão: Jakim e Boaz. As duas iniciais dessa locução se aplicam igualmente, aos dois caminhos da Vedanta: JNANA e BHAKTI, ou Conhecimento, Iluminação, etc, Amor e Justiça. Entre essas duas colunas acha-se o KARMA. Tal nos aparece o REI DO MUNDO entre os seus dois Ministros”. “O termo BHANTE-JAUL ou YAUL, com o significado de “defensores da Lei’, “Irmãos dos Sacrifícios”, etc, com as suas duas iniciais J e B, faz jus a outros termos da mesma natureza como, por exemplo, o de JOKAKAN ou JOÃO BATISTA (um SACRIFICADO, portanto), e cujo mistério já provém da Atlântida. Na mesma razão, os dois caminhos da Vedanta, JNANA (conhecimento ,etc) e Bhakti (amor, devoção, etc), Belém e Jerusalém, são as duas cidades da vida passional ou SACRIFICIAL do “cordeiro imolado” no Monte Gólgota (Agnus Dei qui tollit pecata mundi). E como semelhante tragédia fosse levada a efeito entre o “bom e o mau ladrão”, até mesmo aí se manifesta o grande segredo da MÔNADA em evolução neste planeta de dores, em que todos somos obrigados a viver para o nosso aperfeiçoamento integral, ou dessa mesma “trindade em nós existente” (corpo, alma e espírito, pois o homem foi feito à semelhança de Deus, e este é ao mesmo tempo, UNO e TRINO)”.
Eis aí, oferecido pelo Mestre, um magnífico tema a merecer estudo e meditação: “No começo ela (Agartha) não era subterrânea”. Agartha, como informa a seguir, que é conhecida como a “Confraria Branca dos Banthe-Jaul”, expressão que diz significar “Irmãos do Sacrifício” e relaciona logo com a “Grande Fraternidade Branca” com o nome de “Sudha-Dharma-Mandalam”, isto é, Pureza-Lei-Fraternidade que traduz melhor por “Irmãos da Pureza”, “Fraternidade dos Homens Puros”, que mantém a Lei no mundo. Conduz-nos depois aos dois Caminhos da Vedanta – JNANA e BHAKTI, alegorizando-os como duas colunas, entre as quais se acha a do KARMA, ponderando que “tal nos aparece como o REI DO MUNDO entre os seus dois Ministros”.
Relaciona os mesmos valores a Bhante-Jaul, e novamente faz alusão às duas colunas, J e B, para citar os Yokanaans através do típico João Batista, e ainda os dois Caminhos, Jnana e Bhakti, e as cidades de Belém e Jerusalém, para chegar ao Cristo na cruz entre dois ladrões, como representação da “Mônada em evolução” ou processo de aperfeiçoamento integral dessa mesma “trindade em nós existente (corpo, alma e espírito, à semelhança de Deus, UNO e TRINO)”.
Neste sistema de relações e correlações que se repetem e se entrosam, o que parece nos querer dizer o Mestre JHS? Creio e proponho com humildade, inteira responsabilidade do meu pequeno entendimento, o Mestre nos informa nada mais nada menos, dos VALORES AGARTHINOS, valores que na Atlântida não eram como hoje, subterrâneos, porém de domínio público, aceitos pelos poderes e instituições, a constituir o que a tradição denomina de “Sabedoria das Idades”, e cujos conhecimentos eram tão bem aceitos e ministrados como são os das Ciências e Religiões oficiais.
Justamente o “assalto à oitava cidade” ou Shamballah atlante, anuncia o nascimento de novos valores que se iriam desenvolver e predominar como Verdades. Assim, após a queda da Atlântida, a Sabedoria dos deuses escondeu-se das vistas do público, tornando-se ESOTÉRICA, interiorizando-se e cobrindo-se de véus simbólicos, míticos, teogônicos, só possíveis de serem decifrados por quem possuísse as “chaves” do conhecimento de “palavras mágicas” os “dons” adquiridos através da Iniciação.
E tais valores, designados pelos vários nomes de Jnana, Bhakti, Pureza, Dharma ou Lei, Sacrifício, Amor, Justiça, Fraternidade, Perfeição, Redenção, Verdade, etc, são os mesmos pelos quais são sacrificados todos os que por JINAS se identificam, pelos quais foi degolado João Batista, crucificado o Cristo e seus Apóstolos; Krishna foi flechado, foram condenados à prisão ou à morte tantos iluminados, idealistas e pensadores, apunhalado o inofensivo Gandhi; razão bastante para a afirmação de JHS: “Melki-Tsedec é Aquele a quem os homens apedrejam”.
Valores jinas ou agartinos que após a catástrofe atlante interiorizaram-se, tornaram-se ocultos, passando a serem cultivados em cavernas, túneis e criptas, enfim, vivência subterrânea que ao mesmo tempo os oculta e revela como os nomes ESOTÉRICOS, HERMÉTICOS, CABALÍSTICOS, etc, cujo conjunto de seres, valores, templos e instituições, formam um mundo inteiramente à parte daquele onde vivem o comum dos homens. Tal mundo conhecido por interior ou subterrâneo, o MUNDO-JINA.
Manoel Ferreira