A Respiração como Importante Via para o Autoconhecimento
O que determina o primeiro instante de vida física é a primeira inspiração.
O que determinará o fim da vida física, e início da grande iniciação, ou seja, a morte física, é a última expiração. Nesse exato momento, o homem é posto diante de mais uma jornada que se acaba, e como num filme que se passa repentinamente, pode reconhecer e colher os bons ou maus frutos das sementes que espalhou ao longo da vida.
A própria ciência ratifica o fato de que é a respiração que sustenta nosso equipamento físico durante a encarnação.
Podemos ficar dias sem comer ou dormir, horas sem beber água, em estado de consciência ou inconsciência, mas não é possível ficar mais do que alguns minutos sem respirar.
Quantos já refletiram a respeito da importância desse ato?
Quantos pararam suas atividades rotineiras, por um instante que seja, e prestaram a atenção em seus próprios movimentos respiratórios?
Perceber a própria respiração é mais importante do que muitos julgam, é perceber a si próprio, é fazer parte de maneira mais ativa em uma evolução com gênese na total inconsciência, mas que migra progressivamente para a consciência plena; trata-se de um importante passo na conquista do autodomínio.
Através do controle consciente da respiração podemos modificar muitas coisas, inclusive nosso estado emocional.
O coração é um músculo involuntário, que tem seu ritmo acelerado ou retardado de acordo com as emoções vividas. Experimentemos praticar uma respiração consciente, lenta e profunda, quando vivemos um momento de grande tensão, em que o coração parece “saltar do peito”, e verificaremos que ele se acalmará, retornará ao seu ritmo normal...
A literatura oriental, passando por diversas filosofias e vertentes religiosas, como o hinduísmo e o budismo, até mesmo a medicina Chinesa e a Tibetana, estão repletas de ensinamentos teóricos e práticos sobre a respiração.
O elo comum entre todos estes sistemas está justamente em reconhecer a importância do ato de respirar, movimento que geralmente se dá de forma inconsciente (desapercebida), e ainda, reconhecer que há alguma coisa no ar atmosférico, além nos elementos ordinariamente conhecidos (como o oxigênio e o hidrogênio, por exemplo), que tem por função não especificamente a troca gasosa, mas a revitalização orgânica, que se reflete não apenas a nível físico, mas em níveis mais sutis. Chamemos essa energia invisível de prana.
Algumas pessoas que possuem vidência relatam que o prana se apresenta em forma de gotas suspensas nos ar.
O prana interpenetra a tudo, muito embora saibamos que há locais mais propícios à sua concentração do que outros.
Juntemos então, as duas preciosas informações: a importância do ato de respirar de forma consciente, e a existência de um elemento no ar que inalamos, o qual denominamos prana, responsável pela manutenção e vivificação dos corpos físico e sutis, e nos será possível compreender com maior clareza as poderosas técnicas de respiração consciente, desenvolvidas a milênios...
Quando focamos a mente na respiração, simplesmente concentrando-nos no ar que entra e sai dos pulmões, procurando gradativamente nos livrar dos turbilhões de pensamentos que afloram à mente, e ainda, somando-se a isso, quando mentalizamos a entrada de prana, que penetra em nossos canais sutis (nadis), e de lá para os centros de energia etérica (chacras), na verdade não estamos apenas abrindo uma importante via meditativa, por conta da concentração em um objeto interno, mas estamos também realizando um verdadeiro processo de vivificação dos corpos, e mais ainda mais que isso, ao praticarmos tais processos de internalização, estamos trilhando por uma importante via que nos conduz ao autoconhecimento.
É conhecido pelo nome de pranayama a técnica desenvolvia pelos yoguis que fundamenta-se na concentração mental com a finalidade de captar e absorver prana através da respiração consciente.
Entendemos que o pranayama é mais que isso. Além de ser um importante acesso ao estado meditativo, trata-se de uma importantíssima via de autoconhecimento, principalmente em uma época onde as pessoas buscam cada vez mais as coisas prontas, os chamados “supermercados espirituais”, e cada vez menos o esforço íntimo.
O fato é que vivemos em uma busca constante pelo autoconhecimento, pela cura de nossas mazelas, seja a nível físico, psíquico ou espiritual. Infelizmente, muita das vezes o caminho que tomamos é o que se apresenta mais “fácil”, nos exige menos esforço, mas, que acaba não trazendo o que procuramos.
Milhares de seres comparecem a determinados cultos religiosos, atrás da redenção de seus pecados, da conquista de um pseudo-paraíso, da cura e solução de seus problemas, embotando suas consciências, fechando-se para a realidade existencial, colocando nas mãos de Deus um trabalho que cabe a cada um, por esforço próprio, realizar.
Há os que refugiam-se na impermanência, na transitoriedade da vida, e entregam-se as sensações de alegrias fugazes, causadas pelo gozo momentâneo de certos prazeres. Muitos acham que essa é a única realidade existente.
Não falta os que buscam os consultórios médicos, achando que tão-somente os remédios serão capazes de lhes trazer a cura dos problemas físicos, e até mesmos das angústias...
Nesse contexto, o estudo, a compreensão e a prática exata de técnicas como a do pranayama, assim como de tantas outras, como por exemplo, algumas yogas mentais com fundamento na respiração consciente, praticadas em diversas escolas de caráter iniciático, como a que fazemos parte, a Confraria Mística Brasileira, devem ser cada vez mais disseminadas e compreendidas, para que assim, aqueles que desejam realizar o verdadeiro autoconhecimento, tenham a oportunidade de despertar para as realidades interiores.
Que todos os seres conheçam a felicidade e suas causas.
Leonardo A. Maia